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Cólica freqüente é sinal de perigo
23/1/2009

  Jornal O Dia

Endometriose pode causar infertilidade e fortes dores

Pâmela Oliveira


Rio - Cólicas freqüentes e progressivas podem ser os primeiros sintomas da endometriose, doença que afeta cerca de 15% das mulheres em idade fértil. Segundo médicos, a doença é responsável por 50% dos casos de infertilidade feminina e o diagnóstico tardio é uma das maiores causas do problema.

Dia 25, o Instituto Movendo começa campanha de esclarecimento de médicos e pacientes. Anúncios na TV e em outdoors terão a imagem da atriz Cleo Pires, madrinha da campanha.

“Hoje, leva-se entre sete e dez anos desde o início dos sintomas até o diagnóstico. Muitas mulheres já chegam com lesões graves que atingem vários órgãos”, explica o coordenador da campanha, o ginecologista Cláudio Crispi, do Instituto Fernandes Figueira.



“Em algumas mulheres, esse endométrio (sangue) se fixa nas trompas, bexiga, intestinos e outros órgãos. Isso causa dor intensa e inflamações, porque assim como quando está dentro do útero, esse tecido também é influenciado pelos hormônios onde está fixado, causando sangramentos”, diz. De acordo com Crispi, entre 50% e 70% das mulheres com endometriose tornam-se inférteis devido à deformação dos órgãos do aparelho reprodutor, o que diminui a capacidade de engravidar.

Tratamento em dois hospitais

O mal não tem cura, mas o tratamento pode fazer com que as pacientes com o problema tenham vida normal. No Rio, o Instituto Fernandes Figueira, no Flamengo, e o Hospital Universitário Pedro Ernesto,

em Vila Isabel, oferecem tratamento.

A possibilidade de infertilidade nem sempre é o pior aspecto da endometriose. Segundo Crispi, as dores são tão fortes que chegam a prejudicar a vida pessoal e profissional das mulheres. “A dor torna-se a cada mês mais intensa e necessita de medicação cada vez mais forte. Muitas têm problemas no trabalho e sentem dor durante as relações sexuais.”

O médico afirma ainda que mulheres em estágio avançado geralmente necessitam de cirurgias para a retirada dos tecidos dos órgãos. “Um dos problemas são as longas filas para cirurgia porque nem sempre os centros de referência estão equipados”, diz.